Eu tive um sonho…
Eu tive um sonho… que me pareceu muito estranho.
Sonhei que o Governo brasileiro tinha falado na frente da TV e feito várias campanhas sobre desburocratizar o país, tornando a vida das pequenas empresas mais simples e mais competitivas.
Os créditos seriam liberados com mais facilidade, a legislação tributária e trabalhista seriam simplificadas para a realidade das pequenas empresas.
Inclusive, a entrega de todas as obrigações acessórias seriam tão simples que era preciso apenas apertar um só botão. Imagina! Apenas um botão.
O Governo também disse que, dado a facilidade desse trâmite de informações, o contador já não era mais necessário. O manicômio tributário que antes só era dominado (e com muito suor) por essa classe, poderia ser totalmente substituído por um simples clique.
Todos comemoraram. Todos estavam finalmente celebrando algo que há anos estava entalado na garganta da maioria dos pequenos empresários do nosso país: a liberdade para empreender e a possibilidade de crescer sem medo de acumular uma dívida tributária gigante.
Na mesma hora, os empresários ligaram para seus contadores para rescindir os contratos: “seus serviços já não são mais necessários”, diziam os empresários.
E assim, escritórios de contabilidade há anos consolidados no mercado fecharam as portas por falta de clientes.
Contadores foram às ruas reivindicarem do Governo algum tipo de auxílio, já que trabalharam por anos a fio em prol dele. Mas tudo foi em vão.
“Agradecemos pelos serviços prestados, mas os senhores já não não mais necessários”, dizia a Receita Federal.
E assim iniciou-se o processo de extinção de uma das profissões mais antigas do mundo.
Alguns contadores mudaram de carreira, outros não tiveram tanta sorte.
E o sistema CRC/CFC? Ah, esses daí foram realocados para outras áreas do Governo ou perderam os seus postos.
Vários cursos de Ciências Contábeis em todo o país foram descontinuados por falta de alunos. Ninguém queria correr o risco de ingressar em um mercado fadado ao fracasso.
Então o mundo mudou. Contador não era mais necessário.
Aliás, nunca foi. Essa profissão chata, feita por gente que não sabe o que quer da vida, tinha mais é que acabar mesmo. Só existia porque as empresas não tinham escolha, contratar contador era obrigatório.
O tempo passou e em poucos meses o mercado contábil reduziu em mais de 70%. Noticiários faziam questão de exibir histórias tristes de contadores que perderam tudo: casa, carro, família, dignidade.
“Eu disse para você não escolher essa profissão!”, disse um pai rancoroso com o seu filho que teve que voltar a ser sustentado pela sua família.
Mas enquanto isso, as empresas estavam crescendo em uma velocidade vertiginosa! Faturamentos nunca antes vistos, resultados jamais alcançados.
Clientes e fornecedores com prazos folgados, comprar e vender não era um problema! Afinal, o dinheiro circulava solto! A economia crescia rápido, numa velocidade astronômica!
Já o Governo, por sua vez, estava recebendo informações das empresas em uma frequência que nenhum outro país conseguia imitar. Os dados chegavam em tempo real e as análises e os cruzamentos aconteciam em questão de segundos. Era a maravilha da tecnologia.
Mas em um desses cruzamentos, um alerta vermelho se acendeu no setor de inteligência do Governo. O índice de emprego havia caído em uma proporção que não existiu nem mesmo na época da pandemia.
“Deve ter algum erro de lógica”, um técnico concluiu. “Vou checar os dados”.
Logo depois, um outro alerta vermelho acendeu: as empresas estavam profundamente endividadas, sem condição de quitar os empréstimos que o Governo havia cedido com tanta facilidade.
E ainda, no mesmo dia, o pior dos alertas ecoou em toda a sala de inteligência de dados do Governo: 70% das pequenas e médias empresas brasileiras se tornaram insolventes.
Isso provocou um colapso na economia: sem emprego, sem dinheiro circulando, sem oportunidades de investimento.
As empresas começaram a fechar as portas e o que mais se via na rua eram placas de “Aluga-se”.
“Alugar para quem? Ninguém tem dinheiro para alugar nada”, esbravejou o motorista que passava em frente a uma dessas lojas.
Todos ficavam se perguntando o que afinal tinha acontecido com a economia, já que as propostas do governo eram tão boas e ajudou tantas empresas a crescerem, a contratarem mais pessoas e a girarem a economia.
Mas e então, o que aconteceu, afinal?
O fato é que todos achavam que se havia matado o “mensageiro”, porque ele já não era mais necessário.
Mas na verdade mataram o imperador.
Mataram quem mais dominava e conhecia a dinâmica econômica de uma empresa.
Mataram o estrategista.
Mataram o único que detinha o conhecimento de operar uma economia em alto crescimento. O que sabia que uma empresa que cresce demais, acaba virando um trem sem freio.
Mataram aquele que sabia que capital de giro não se faz com empréstimos de crédito fácil.
Mataram aquele que sabia que um grau de alavancagem alto faz a empresa entrar na forca da dívida.
Enfim, mataram aquele que mais sabia cuidar da saúde das empresas. Sobretudo de empresas de alta performance.
E sem médico, as empresas ficaram doentes e morreram.
A economia quebrou e o Brasil precisou fazer acordos internacionais para tentar dar seus últimos suspiros.
A miséria prevaleceu.
Mas o que, afinal, aconteceu?
Foi culpa do Governo?
Culpa dos empresários?
O mais triste é dizer que a culpa foi dos próprios contadores. Sim. Deles próprios.
Por que com o excesso de confiança que detinham, nunca imaginaram que um dia desses poderia chegar.
Foi culpa dos contadores que entraram em um buraco fundo e escuro e que de lá nunca mais saíram: o buraco da burocracia.
Culpa dos contadores que se esqueceram ao longo do caminho o que era um EBITDA e qual era a relação do patrimônio líquido com o ativo.
Eles se esqueceram da ciência.
Da ciência que mais parecia magia, bruxaria, de tão perfeita que era.
Eles se esqueceram da sua essência… e a ciência morreu. O contador morreu. A economia morreu.
Eu tive um sonho…
Sonhei que eu tinha criado uma empresa justamente para quando esse momento acontecesse.
Sonhei que essa empresa era um refúgio de acolhimento e aprendizado para aqueles contadores que estavam dispostos a resgatarem sua essência.
Sonhei que cada pessoa que fazia parte dessa empresa tinha consigo uma única e importante missão: a de transformar a profissão contábil e mudar para sempre a realidade do nosso país.
Sonhei que essa empresa não deixaria nenhum contador para trás, por mais difícil que fosse.
Sonhei que essa empresa havia conseguido em poucos anos de existência ensinar a contabilidade consultiva para uma quantidade enorme de contadores.
Então, quando o Governo anunciou as medidas que pareciam a salvação da economia, eles já estavam prontos.
Eles estavam ao lado dos empresários.
E com eles, traçaram estratégias e bons planos para as empresas crescerem sustentáveis e prósperas, com propósito e razão de ser.
Sonhei que essas empresas empregavam os menos favorecidos, os mais vulneráveis, os mais excluídos socialmente, que recrutavam aqueles que nunca na vida imaginariam ter um emprego formal.
E os sinais de trânsito ficaram vazios de mães vendendo balas com crianças no colo. E as ruas ficaram vazias de mendigos implorando por dinheiro.
Por que, pela primeira vez na história do mundo, essas pessoas chegavam em suas casas, boas casas, com o salário do mês depositado na sua conta.
Eu tive um sonho…
Que o contador era o profissional mais importante desse país.
Capaz de tirar as pessoas da miséria e levá-las ao caminho da prosperidade.
E aí eu me dei conta de que esse sonho poderia se tornar realidade.
E então eu fundei uma empresa. Uma empresa que ajuda contadores a se tornarem médico das empresas.
E essa empresa passou a ter nome:
O nome dela é NUCONT.
E todos os dias da minha vida eu luto para acabar com a pobreza do nosso país através da CIÊNCIA CONTÁBIL.
E esse meu propósito não seria possível sem os mestres que me ensinaram a ciência contábil e que me inspiram todos os dias:
- Meu pai Antônio Fernandes
- Professor Antônio Lopes De Sá
- Professor Cesár João Abicalaffe
Gratidão a todos que acreditam nesse sonho. Sem vocês eu jamais daria conta.
Beijos,
Fernanda Rocha