Contabilidade Consultiva não é sinônimo de BPO Financeiro
Não caia nessa narrativa
O que realmente é a Contabilidade Consultiva?
Bem, acho muito incrível que vários players do nosso mercado contábil tenha adotado o termo “Contabilidade Consultiva” em seus discursos.
Isso mostra a força e o poder de propagação desse conceito originalmente criado por mim em um cenário onde não se falava nada sobre CONTABILIDADE COMO CIÊNCIA.
Mas obviamente, com a popularidade do termo, acaba acontecendo algumas distorções de significado, o que é comum, então venho aqui reforçar qual é o verdadeiro sentido da Contabilidade Consultiva.
Mas antes, deixo claro que não quero me apegar a termos semânticos. Você pode chamar isso do que quiser, desde que obedeça ao princípio mais básico desse modelo de serviços:
Contabilidade Consultiva é o USO DA CONTABILIDADE COMO CIÊNCIA aplicada principalmente a pequenos negócios, usando para isso o MÉTODO CIENTÍFICO de trabalho.
É só isso.
Todo o resto é complementação para que o contador de fato consiga ser esse agente de transformação para as empresas.
E por que usar o Método Científico? Porque é a maneira mais eficaz para tornar o contador um autêntico médico das empresas, garantindo que as perguntas corretas sejam feitas e que as hipóteses sobre o estado de saúde da empresa sejam validadas ou não.
A Contabilidade como CIÊNCIA
Lopes de Sá diz:
Somente os recursos superiores do raciocínio contábil podem oferecer meios para que se produzam modelos de comportamentos da riqueza.
Sem a aplicação plena da Contabilidade, não há riqueza sustentável nas organizações.
A figura abaixo mostra quais são as 4 etapas do método científico:
- Contexto
- Análise
- Diagnóstico
- Prescrição
Das quatro etapas do método científico, três deles envolvem o relacionamento e o contato direto do contador com o empresário, por isso o foco em se aproximar e se relacionar com os clientes é tão importante.
Portanto, não há que se falar em Contabilidade Consultiva sem mencionar a ciência envolvida por trás dessa metodologia.
E o BPO Financeiro?
BPO Financeiro é importante? Sim, é um caminho para se chegar à Contabilidade Consultiva, porque é uma forma de obter dados mais confiáveis para que se consiga uma informação contábil de qualidade.
Porém, os dados financeiros por si só não são suficientes para fazer uma análise completa e assertiva da empresa, que se repousa sobre os pilares financeiro, econômico e patrimonial.
Uma empresa pode ter saldo de caixa e lucro financeiro, sem ter lucro contábil. E isso é um alerta vermelho para a continuidade e perenidade da organização.
Sem a devida investigação e aprofundamento no âmbito patrimonial e econômico, um trabalho pautado somente no pilar financeiro pode comprometer de forma irreversível a saúde da empresa.
Sei que administradores e outros profissionais não-contadores podem discordar de mim nesse aspecto, e tudo bem.
Mas por favor, retirem do discurso de vocês a palavra CONTABILIDADE quando vocês não estiverem de fato a abordando como ciência que é. Usem outro termo e está tudo certo.
Aplicação da Contabilidade Consultiva
Uma vez definido o conceito, agora vamos para a prática.
Vejo muitos contadores vendendo Contabilidade Consultiva e poucos de fato a entregando.
Posso estar sendo repetitiva, mas novamente quero reforçar que:
- Contabilidade Consultiva não é sinônimo de BPO Financeiro.
- Contabilidade Consultiva não é sinônimo de proposta de vendas matadora.
- Contabilidade Consultiva não é sinônimo de processos automatizados.
- Contabilidade Consultiva não é sinônimo de software, sistema, tecnologia, inovação, transformação digital.
- Contabilidade Consultiva não é sinônimo de marketing digital.
Um contador pode perfeitamente fazer a verdadeira contabilidade sem ter nada disso.
A única coisa que o contador realmente precisa ter é disposição para construir um relacionamento confiável com o seu cliente.
E para isso pode se fazer necessário esses apêndices tecnológicos para facilitar a aproximação e livrar o contador do serviço de despachante do governo.
E relacionamento não é sinônimo de bom atendimento. Também não é o contador ser o “brother camarada que resolve qualquer parada”.
Não.
Relacionamento confiável é ser lembrado quando seu cliente precisar tomar uma decisão importante.
É se fazer presente nos momentos prósperos e também nos mais críticos, estando lá para apoiá-lo, orientá-lo e liderá-lo.
Afinal, não adianta você dominar todos os números da empresa, mas não conseguir criar laços e empatia suficiente para que seu cliente confie em você para transformar suas orientações em um plano de ação.
Em suma, não adianta o médico ser bom, se o paciente não se sentir seguro para seguir a prescrição de tratamento.
Conclusão
Por favor não me entendam mal, não quero com esse artigo criar uma visão ortodoxa e inflexível sobre o trabalho do contador.
Desde quando a bandeira da Contabilidade Consultiva foi levantada, o mercado contábil sofreu muitas transformações e os contadores finalmente enxergaram uma luz no fim do túnel sobre atuarem muito mais além do âmbito trabalhista e tributário.
Porém, o perfil empreendedor e digital a que o contador foi sendo conduzido a adotar não exclui a habilidade técnica e científica que unicamente o profissional da Ciência da Riqueza é capaz de ter.
E meu recado final é:
Contador, não abandone aquilo que te torna único no mercado. Perfil consultivo qualquer profissional é capaz de desenvolver, mas o conhecimento contábil é o que te dá poder de transformar a realidade do mundo à sua volta e levar prosperidade e riqueza para todos.
Valorize a Ciência Contábil. O resto é apêndice.
Tamo junto,
Fernanda Rocha